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O CORAÇÃO É A TUA CASA

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  Coisas que moram no coração. Nem sempre são boas. Nem sempre são generosas. Nem sempre são doces. Nem sempre são despretensiosas. Tão poucas vezes são empáticas. Raras vezes nascem do amor. Depende da semente que lá se coloca. Depende das mãos que semeiam. Da voz que canta e do canto que se entoa. Da língua que fala e do propósito que traz nas palavras. Da intenção que coloca na ação. Do nível de graciosidade que traz na alma. E, mais do que isso, da forma como olha para o mundo e para os outros. Não é a raça, nem a cor ou, tão pouco, a casta que dita a ternura de um coração bonito. Andar coberto de luz não é o mesmo que ter um vestido de alta costura. A vida não é uma passadeira vermelha. Coisas que moram no coração. São o resultado de quem somos. Um pé-de-meia da vida. São as coisas que amealhamos no peito para dar aos outros. Há quem guarde tesouros e há quem guarde entulho. Há olhares que brilham e há olhares que destilam. Há sorrisos que inspiram e há infernos que v...

ADEUS, AMOR!

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  Adeus, amor! Que a vida não nos permite. O caminho não nos está destinado. Quem sabe noutra existência, noutro tempo e noutro lugar. Resta-nos o que fica. Amar depois do adeus. A nossa mais íntima lembrança de que existimos em vida e após a morte. De que somos dois gomos do mesmo carpo, mas com propósitos distintos. E o adeus é nada mais do que o amor tornado visível. É a linguagem dos grandes. A voz da sabedoria. Quando um coração renuncia a um entrelaçar de mãos, demonstra o tamanho da sua afeição. Porque esse amor não é deste mundo. Adeus, amor! As flores irão desabrochar para continuar a viver. O dia trará luz à hora marcada. E os rios continuarão a correr. O tempo dilata-se a nosso favor. Quem sabe, a roda da vida nos sorteia com mais uma ronda. E, dessa vez, promete que vens para ficar. Que os teus caminhos serão os meus também. Que se o meu coração te chamar, reconhecerás os meus lábios a pronunciar o teu nome. Que acreditarás nele. E, quando te murmurar ao ouvid...

BARCO

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  Quantas luas atravessaram já os teus olhos. Quantas mais virão ainda cruzar o horizonte e destinar-te ao tempo. No início tudo é eterno e livre de danos. Vive-se consumido pela aflição da conquista. Fazem-se planos e alinham-se os sonhos, queremos sorver os anos para chegar depressa ao dia. Ao dia em que temos o que sonhamos. Ao dia em que nos tornamos no desejado. Ao dia em que, sossegados, simplesmente vivemos a linha traçada a transbordar de felicidade. Mas o futuro é um lugar esquivo. O destino vai-se tornando escasso. E vamos ajustando os sonhos. Trocamos o “quero ter” pelo “quero ser”. Valorizamos o dia que amanhece e as ternuras que a saudade faz nascer. É a idade que avança. A alma anseia ser barco, mas o corpo é já âncora lançada ao mar. As tuas mãos ganham outra forma desconhecida. Os sinais emergem do silêncio. Aquela que observas é, agora, um punhado de momentos guardados na lembrança. Suspensa entre os instantes. O teu rosto oculta a elasticidade do teu ânim...