ADEUS, AMOR!
Adeus, amor!
Que
a vida não nos permite. O caminho não nos está destinado. Quem sabe noutra
existência, noutro tempo e noutro lugar. Resta-nos o que fica. Amar depois do
adeus. A nossa mais íntima lembrança de que existimos em vida e após a morte. De
que somos dois gomos do mesmo carpo, mas com propósitos distintos. E o adeus
é nada mais do que o amor tornado visível. É a linguagem dos grandes. A voz da
sabedoria. Quando um coração renuncia a um entrelaçar de mãos, demonstra o tamanho
da sua afeição. Porque esse amor não é deste mundo.
Adeus, amor!
As
flores irão desabrochar para continuar a viver. O dia trará luz à hora
marcada. E os rios continuarão a correr. O tempo dilata-se a nosso favor. Quem
sabe, a roda da vida nos sorteia com mais uma ronda. E, dessa vez, promete que
vens para ficar. Que os teus caminhos serão os meus também. Que se o meu
coração te chamar, reconhecerás os meus lábios a pronunciar o teu nome. Que acreditarás
nele. E, quando te murmurar ao ouvido, deixa-te envolver. Juntarás os teus
sonhos aos meus e, assim, o amor poderá atingir a sua plenitude.
Por agora, adeus amor!
Há
um destino a cumprir e um tempo para crescer. Não colheremos ainda frutos deste
pomar, nem flores neste jardim. Passaremos solitários pelos pinheirais.
Confiaremos a saudade a céu aberto. E sonharemos com o fulgor dos poentes a
jurar exaltação para lá do horizonte. Para já somos as cordas de uma guitarra que,
mesmo separadas, tocam o mesmo fado. Que, mesmo em margens opostas, não se
perdem de vista. Porque se amam, mesmo na ausência. Se cuidam, mesmo sem a
fragrância do espaço.
Um dia, os nossos corações acordarão lado a lado.
E,
aí, teremos a mesma melodia nos lábios!
Liliana Mesquita Machado

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