A VIDA EM LINHA RETA
Quero a paz que trago comigo! Que os dias são de estalo e o tempo urge debaixo dos pés. Na viagem que me resta, basta o sonho à narrativa e um sorriso nas palavras. Um dia de sol inventado no inverno. O ar que cheira a flores. E um dia de domingo a cada semana. O extraordinário num coração cansado é que se expande nas coisas simples. Já não se demora em nostalgia. Não se deslumbra com o cume dourado das montanhas. Nem se perde nas estradas lamacentas da vida. Alonga o olhar na tranquilidade do meio-dia. Repousa os gestos na quietude dos astros. E, calma, serena e de olhos fechados, dá um salto de fé. Escolho a paz que trago comigo. Que as tardes são de primavera. O céu é de portas caiadas. E em velhas pedras ainda nascem rosas. Pois um lugar onde sobram as misérias é terreno fértil para semear o amor. Fazer crescer a substância e a cor. E deixar os lírios compor um canto da paisagem. A façanha dos corações famintos é encontrar razão para sorrir. Desafiando a dor. Desfia...