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A VIDA EM LINHA RETA

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  Quero a paz que trago comigo! Que os dias são de estalo e o tempo urge debaixo dos pés. Na viagem que me resta, basta o sonho à narrativa e um sorriso nas palavras. Um dia de sol inventado no inverno. O ar que cheira a flores. E um dia de domingo a cada semana. O extraordinário num coração cansado é que se expande nas coisas simples. Já não se demora em nostalgia. Não se deslumbra com o cume dourado das montanhas. Nem se perde nas estradas lamacentas da vida. Alonga o olhar na tranquilidade do meio-dia. Repousa os gestos na quietude dos astros. E, calma, serena e de olhos fechados, dá um salto de fé. Escolho a paz que trago comigo. Que as tardes são de primavera. O céu é de portas caiadas. E em velhas pedras ainda nascem rosas. Pois um lugar onde sobram as misérias é terreno fértil para semear o amor. Fazer crescer a substância e a cor. E deixar os lírios compor um canto da paisagem. A façanha dos corações famintos é encontrar razão para sorrir. Desafiando a dor. Desfia...

METAMORFOSE DE UM CONDENADO

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  Nascemos condenados. Mas vivemos como se não o soubéssemos. Afinal, que graça tem a vida sem os filtros a limpar imperfeições. Mais vale cobrir essa nudez. Maquilhar a tristeza. Dar cor ao desânimo. Vestir de elegância as lágrimas. E sair para o mundo com outra identidade. Construir a narrativa. Criar a personagem e vender a exuberância da vida. E, fingindo não saber, sorri até que os teus lábios não conheçam outra forma. Dança até que os teus pés não conheçam outros passos. E permanece na aparência. E, cansada de fingir, segues vacilante na estrada que se desenha a teus pés. Exausta pelo peso tomado nos ombros. Perplexa com o que os teus olhos vêm à luz da verdade: uma pedra a desejar ser flor. Nascemos condenados. Mas não temos de viver como se não o soubéssemos. A vida é a oportunidade para te libertares da sentença. Cumpre com rigor a tua verdade. Espalha a fragrância da virtude sem o medo da rejeição. Tu não estás só neste caminho. Olha! Vê quantos condenados seguem...

MAPA DO TESOURO

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  É difícil encontrar-te. Não sei se existes, sequer. Fui deixada nesta ilha, nua e desabitada. Confesso, chorei à chegada. Entretanto, percorri os instantes; aprendi a matéria e o idioma, e a minha voz tornou-se madura. E sempre à tua procura. Pudesse eu ter um mapa que desvendasse este mistério. Não te conheço as feições nem os gestos, mas sei de cor o teu sabor. Perdoa-me se nada sei sobre a arte do encontro. Se me demoro na paisagem e atraso a minha chegada. Nem sei se me esperas, ainda! Prometo dar-me inteira ao tempo, percorrer o fulgor da lua cheia e descansar, apenas, quando despontar o teu sorriso ao entardecer. Estranha vontade, procurar-te. Como se fosses o princípio e o fim. Infiltrado no meu ser, enraizado na minha alma, exilado no meu coração. Como se a razão do encontro valesse a viagem. Deixa-me mostrar-te a primavera, o chão e as estrelas. Diz-me como se pronuncia o teu nome e ensina-me a chamar por ti. Não fiques em silêncio. Deixa marcas por onde passas,...