A POEIRA DAS ESTRELAS


Um teto cheio de estrelas.

Um gelado à meia-noite, a fazer as delicadezas à gula. As tuas mãos, momento a momento, a fazer ímpeto à sedução. E as estrelas fragmentam-se e polvilham o espaço infinito. A poeira dourada, que cai à superfície da pele, integra-se no sangue e irradia pelos olhos. A paixão luminosa fecunda as ruas e o amor transpira por cada poro da calçada histórica. 

  
Sim… o amor é a poeira das estrelas. Possui súbita intensidade.
O amor e as estrelas formam tamanha dualidade de estado que não se podem separar no seu significado. Partilham o mesmo útero, igualmente originadas da mesma anatomia estética. Não há nada no amor que as estrelas não possuam. Ah… sedutora e maravilhosa viagem. Dizem os poetas e os artistas. Os filósofos e os cientistas. Amar é como orbitar as estrelas. Mas só os enamorados gentis o podem afirmar, na ingenuidade encantadora da sua experiência. E, assim, quantas vezes o nosso olhar não tombou para o céu, o lugar onde parece firmar toda a ternura e meiguice? Quantas vezes, de olhos voltados ao universo, e num elevado enternecimento de voz, pronunciamos com intenso amor: Oh...meu sol! Minha estrela!...

Uma vez apaixonados, as estrelas jamais deixam de perfumar os dias e as horas. São pequenas notas cintilantes da íntima felicidade. São a expressão sublime de soberania e o testemunho inspirador da mais ofegante paixão. Revestem de poesia os mais insignificantes detalhes, servindo de adereço subtil ao sonho emoldurado. Observemos o quadro mais complexo: amar. Amar é o começo de um devaneio. Olhamos, desejamos e aspiramos possuir e, logo ali, a alma se veste de sonho. Somos correspondidos, colocamos o amor sobre o peito e, assim, damos esperança à vida que amanhece na alma. Quando um coração se funde com outro coração, o desejo da entrega não sai do pensamento. E então, no desejo de sublimar o sonho que nos prende, vamos perdendo a razão para as estrelas.

Que o digam os corações enamorados!

 Liliana Mesquita Machado

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