A POEIRA DAS ESTRELAS
Um gelado à meia-noite, a fazer as delicadezas à gula. As tuas mãos, momento a momento, a fazer ímpeto à sedução. E as estrelas fragmentam-se e polvilham o espaço infinito. A poeira dourada, que cai à superfície da pele, integra-se no sangue e irradia pelos olhos. A paixão luminosa fecunda as ruas e o amor transpira por cada poro da calçada histórica.
Uma vez apaixonados, as estrelas jamais deixam de perfumar os dias e as horas. São pequenas notas cintilantes da íntima felicidade. São a expressão sublime de soberania e o testemunho inspirador da mais ofegante paixão. Revestem de poesia os mais insignificantes detalhes, servindo de adereço subtil ao sonho emoldurado. Observemos o quadro mais complexo: amar. Amar é o começo de um devaneio. Olhamos, desejamos e aspiramos possuir e, logo ali, a alma se veste de sonho. Somos correspondidos, colocamos o amor sobre o peito e, assim, damos esperança à vida que amanhece na alma. Quando um coração se funde com outro coração, o desejo da entrega não sai do pensamento. E então, no desejo de sublimar o sonho que nos prende, vamos perdendo a razão para as estrelas.
Que o digam os corações enamorados!
Liliana Mesquita Machado

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