A HISTÓRIA DE UM COMETA

 

Era uma vez um pequeno corpo gelado a vadiar pelo universo.
Sozinho, perdido na imensidão do escuro, disperso pelo horizonte. Sem esplendor e sem brilho. Na ponta dos pés trazia o sonho de ser um astro apinhado de luz a rasgar o céu. Era de fluorescência a cor do sonho. E, quando sonhava com muita força, os seus pés deixavam um vestígio cintilante, imediatamente, engolido pelo areal negro. Não chegava a ser luz. Era um brilho escasso e efémero. Era uma ponta de esperança a morrer na tristeza.
 
Viajou anos-luz à deriva e sem propósito.
Perdeu-se nas órbitas excêntricas e viu-se afundado na sua própria melancolia. Sentiu-se o fantasma de um cometa extinto. Porém, apanhado pela maré galáctica, impulsionado pelo sonho há muito adormecido, ousou passar ao largo do Sol. Desafiou a sorte. Içou as velas e aproveitou o vento solar. Aqueceu o seu pequeno corpo gelado. O seu coração agora pulsa e cintila. E, ao virar do Sol, em pranto por tamanha ousadia, voltou os olhos para a extensão da cauda esplêndida que o sonho proporcionou.
 
Orgulhoso, deu a volta ao universo exibindo o corpo celestial.
O espaço cobriu-se de prata. As estrelas mapearam o seu trajeto. Os aplausos ecoavam pelo cosmos. A lua vestiu-se de branco. Ergueu-se das profundezas do universo uma composição musical sublime, um verso composto a fazer-te justiça. O momento é solene. É chegada a hora de assistir à passagem do cometa. Invades o lugar onde pertences. Segues em fúria preenchendo a infinidade. Voas em liberdade. Agora sabes porque existes.
 
Observo-te em silêncio.
A ponta da lente conta-me a história da tua bravura. É preciso andar mergulhado na escuridão para se ser luz. Devemos acreditar no sonho para fazer acontecer. É preciso ousadia para conquistar. É preciso coragem para existir.

Enquanto o cometa passava,
A esperança crescia!
 
Liliana Mesquita Machado

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