À HORA MADURA
Amar na hora madura.
É
ter a certeza de quem vem para ficar. É saber que não preciso de ti, mas que te
quero a meu lado. De que me basto para preencher os espaços vazios e, ainda
assim, escolhi-te para sorrir comigo. É sentir que os teus olhos são abrigo,
mas a minha casa sou eu. É ter alguém que encaixa no coração. Que se enlaça na
alma. Que arrebata na madrugada. Que embarca contigo na lua cheia. Que enche os
caminhos de maresia e os dias de liberdade.
Não
morrerei quando fores embora. Não ficarei perdida sem ti. Não se apagará a
minha luz, nem o brilho que brota do meu peito. Não te aguardo no regresso dos
dias. Não te cobro a ausência nem a demora do silêncio. Porque eu sou a poesia
e tu a palavra.
Amar na hora madura.
É
mais leve e definido. É cor e ritmo. É o fulgor das horas por extenso. Sem medo
da entrega e sem o drama da nostalgia. São dois corações a dar a volta ao
universo. A viver na exaltação da aventura sem a substância do tempo. A
delicadeza da cor. A mistura dos aromas intrigantes. É um amor com um grau de suavidade
que somente o tempo traz ao vinho. O sabor
é mais intenso e traz uma sensação mais sedosa à boca. Às vezes, é preciso esperar
pelo envelhecimento para desfrutar de um vinho mais saboroso. A idade tem esse
lado maravilhoso. Sabemos o que queremos no copo. Um amor de nuances
prazerosas, suave na textura e delicado no trato. Quente e aromatizado.
À hora madura é tempo para viver de peito aberto.
Com
a felicidade no rosto e a alegria no canto de um sorriso.
Ergue o copo. É hora de sorver a melhor colheita!
Liliana Mesquita Machado

É bonita a forma como descreves isto. E é pena que nem sempre o amor tenha estas características de liberdade. :)
ResponderEliminarObrigada, Juca. Para ter estas características de liberdade é importante que o amor seja, em primeiro lugar, dedicado a nós mesmos e só depois ao outro. ;)
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