A VIDA, O TEMPO E A DESPEDIDA

 

Nem todos têm a sorte de envelhecer!

Passamos pela vida sem protestar a velocidade do tempo. Nascer, crescer e morrer. Pelos espaços entre os processos, vamos derretendo cisma na matéria deste mundo. Fazemos de conta que tudo está bem. Escondemos as dores e a aflição e entregamos a jornada ao esquecimento. É preciso chorar quando a alma tem saudade, dor ou fome. Quando urge o perdido fôlego. Fingir, traz amargura ao espírito. Afinal, andar por cá só vale se formos genuínos. Em hora de balanço final o que vai pesar mais: ter ou cativar?

A vida está a ensinar-me o valor da despedida. Sem dizer adeus às pessoas que amo, carrego-as no coração com a esperança de um “até já”. Sentir a dor do adeus é admitir que acaba. Mais vale preservar. Conservar viva a memória de tudo o que é importante. Os sorrisos. Os abraços. O afeto. Abrir as portas para o amor sem temer o fim. A vida está a ensinar-me a preencher os espaços entre os processos com o essencial. Ser presente para quem vive. Ser força para os que estão fracos; ser estima para os que precisam de carinho; ser ombro para os que choram; ser luz para os que vivem no escuro. Ser braços abertos para os que me procuram.

A vida está a ensinar-me o valor da humildade. Nunca tive nada de que fosse dona. Só carrego comigo o sonho e as palavras. A ambição apaga a essência e atira para o fundo de uma valeta a pureza da atitude. E o ego, pesado e em agonia, ali permanece decadente como um pano gasto. Ali germina a origem da podridão. Está o asco a urdir o plano para fazer fortuna. Escolhe ser o papel em branco numa história que se constrói.

 
Vive para deixar uma marca.
Uma assinatura com um rasto de luz. 
 
Liliana Mesquita Machado

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