LENTIDÃO
O passo apressado marca a primavera da vida. Ah! Tudo a florir… na prontidão de quem se acha muito novo para amar e muito velho para aproveitar o sopro que é existir. O tacão marca o compasso na pedra quadrada, cinzenta e gasta. Já tantos passos apressados se ajeitaram naquele caminho, sempre com o mesmo ritmo, sem demora e sem fôlego. Como se o amanhã fosse uma meta tão distante que, na demora, não há tempo para sentar e apreciar a Primavera. Maria Inês gosta de sentar-se àquela mesa. A observar. A olho nu. Expia de olhos frenéticos um e outro par de pés que marcha sobre a calçada. Levanta os olhos só para dar rosto às bases. É como desenhar uma casa. O esboço de Maria Inês começa sempre pelo alicerce. A parte que sustenta o peso. E há pés que sustentam o mundo. Outros o inferno. Alguns escalam nuvens de algodão. E outros palmilham por aí, desnorteados como o tio Albertino em noites de alegria celestial. Maria Inês está ali, sentada à mesa, sorvendo o êxtase dos imbecis qu...