RECEITUÁRIO
Um dia conheci um sábio que não era velho. Não sei se sabem, mas nem todos os velhos são sábios e nem todos os sábios são velhos. Não é a idade que traz sabedoria, mas a curiosidade com que olhamos para o mundo. Não é sobre o quanto vivemos. É sobre como vivemos. É sobre a grandeza do espírito para saber ler nas entrelinhas da vida. O sábio olhou-me para lá das janelas da alma e colocou nas minhas mãos um receituário. Um livro de muitas páginas, folhas gastas e velhas, vazias. Estavam em branco. Disse-me para encontrar um senso de propósito. Um significado na vida. Pois só assim, seria capaz de criar a minha própria receita da felicidade. As páginas em branco ganham vida. Estão gastas e velhas, mas já não estão vazias. Quando choro escrevo sobre a beleza do sorriso. As gargalhadas sonoras, os olhos rasgados e a expressão que se ilumina. Perante a perda escrevo sobre como aprendi a ganhar. Como um obstáculo se fez oportunidade. Como uma pedra se transformou no caminho. P...