Os Sapatos Vermelhos
Aninhada, pois, na minha convicção, calcei os sapatos vermelhos para descascar as batatas para a sopa. A minha mãe diria que não aprendi nada. Contrariei a minha vontade pela pantufa e decidi dar uma oportunidade à “sensualona” escondida pelas camadas de pele. Se é confortável? Não. Nem o sapato, nem a personagem que evoco das entranhas. O salto torna-me mais alta que a bancada. Obriga-me a vergar as costas para que os olhos, melindrados pela miopia, possa avistar aquela nesga de casca teimosa. Resisto. Persisto. Sinto-me a “tal” para as paredes da minha casa. As únicas testemunhas deste desvario. O fogão lança-me um esgar de fogo. Já atiçado pela minha sensualidade doméstica. Eu disfarço. Não é de bom tom colocar a panela ao fogo logo no primeiro olhar. Ele entra no jogo. Apaga-se por breve segundos. Como se o que vê não fosse gás suficiente para as suas bocas. Fingido! E sinto-me poderosa. Afinal, um salto faz toda a diferença. Até as batatas se descascam com ou...